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Quem tem medo da Pagseguro?

 

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Quem tem medo da Pagseguro?
Contratação de Rômulo Dias, ex-presidente da Cielo, pela empresa de pagamentos do Grupo Folha, mostra o aquecimento do mercado de transações financeiras, que terá cada vez mais novos participantes
 
Dinheiro em caixa: Dias assume o comando do PagSeguro após a empresa ter captado US$ 2,3 bilhões com abertura de capital em Nova York (Crédito: João Castellano / Agência Istoé)
 
Em geral, a troca de presidente em uma companhia aberta altera os preços de suas ações, não as dos concorrentes. Porém, ao ser anunciada em primeira mão pela coluna MOEDA FORTE, de Carlos Sambrana, no dia 9 de março, a contratação de Rômulo Dias para a presidência do UOL, empresa do Grupo Folha que, entre outras operações, controla a processadora de pagamentos PagSeguro, provocou uma queda nos papéis da concorrente Cielo. Desde outubro de 2016 à frente da área de cartões do Bradesco, Dias presidiu a Cielo por oito anos e conhece a fundo o mercado e também a estratégia da companhia líder do setor, controlada por Bradesco e Banco do Brasil.
 
A mudança na cúpula do UOL – e seu efeito no pregão da bolsa – são demonstrações eloquentes de como o mercado de meios eletrônicos de pagamento no Brasil está aquecido e mudando depressa. A Cielo tem cerca de metade do mercado, e durante alguns anos foi uma das estrelas da Bolsa, devido à forte geração de caixa e às margens de lucro elevadas. Esse deve ser o primeiro alvo de Dias. “Ele vai bater na Cielo, e muito”, diz uma fonte do setor. “É lá que estão os melhores clientes do mercado.” Dias deverá cortejar grandes nomes do varejo, que são responsáveis por bilhões de reais em transações todos os dias, sem falar no crescente comércio eletrônico.
 
Os números do setor, divulgados na terça-feira 13, mostram que, apesar da desaceleração da economia, as transações eletrônicas seguem crescendo a taxas de dois dígitos (observe o quadro abaixo). Um dos motivos dessa pujança é a política do Banco Central (BC) de popularizar os pagamentos eletrônicos. “O BC tem sido bastante ativo para reduzir os juros para o consumidor e os custos para o comerciante, de modo a estimular o uso de cartões”, diz Fernando Chacon, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que representa o setor. “Isso está em linha com os projetos de inclusão bancária e de redução do custo Brasil.”
 
 
Sucesso no pregão: ações da PagSeguro subiram 35,8% no primeiro dia de negociação, e avançaram mais 20,5% em dois meses (Crédito:Divulgação)
 
Uma das maiores dificuldades de quem quer ganhar a vida nessa atividade é conseguir receber com cartão. Frequentemente, o nome do microempresário está negativado, o que lhe fecha as portas ao crédito e aos relacionamentos bancários. O PagSeguro enfrentou esse desafio lançando a Moderninha. A máquina pode ser comprada em vez de alugada, o que reduz os custos para o pequeno empresário. Mas sua principal vantagem é que a receita das vendas pode ser creditada diretamente em um cartão pré-pago. Com isso, o PagSeguro eliminou a necessidade de conta bancária. Na mosca. Em menos de cinco anos foram cadastrados 2,5 milhões de pequenos comerciantes. E há muitos mais que se encaixam nesse perfil. “As maiores perspectivas de crescimento para os pagamentos eletrônicos estão na inclusão das micro e pequenas empresas”, diz Chacon. “Ainda há muito espaço para ser explorado.”
 
Recentemente, o PagSeguro lançou outros produtos, como uma máquina parecida com os modelos mais sofisticados oferecidos pela concorrência. “O mais provável é que o PagSeguro passe a disputar o mesmo nicho de mercado das demais companhias estabelecidas, que têm margens de lucro elevadas”, diz Leonardo Montenegro, principal executivo da consultoria 4Ward, especializada em pagamentos eletrônicos. Os investidores reconhecem isso. As ações do PagSeguro subiram 35,8% na abertura de capital, para fechar a US$ 29,20 no primeiro dia de negócios no pregão, e não pararam por aí. Na quinta-feira 15, a cotação estava em US$ 35,19, com um ganho de 20,5% em cerca de dois meses, levando o valor de mercado para US$ 10,8 bilhões.
 
Ao se posicionar como referência nesse negócio, o PagSeguro ainda poderá surfar nessa onda por bastante tempo. Porém, os concorrentes não param de surgir. Prova disso é que o aplicativo de entrega de comida em domicílio iFood, controlado pela empresa de tecnologia Movile, anunciou que está desenvolvendo um modelo próprio de maquininhas para processar os pagamentos dos clientes. “Temos diversas iniciativas para melhorar a vida dos restaurantes parceiros, e o próximo passo do iFood será oferecer uma maquininha de cartão com o sistema da Zoop para compras no aplicativo”, diz Roberto Gandolfo, diretor comercial e operações do iFood.
 
 
De olho no negócio: para Túlio Oliveira, principal executivo do Mercado Pago, a atividade de pagamentos é muito maior que a de varejo (Crédito:Divulgação)
 
A tendência do mercado é de especialização, em que os novos adquirentes vão concentrar-se em nichos específicos. “Haverá soluções específicas para diversos ramos de atividade”, diz Augusto Lins, presidente da processadora de pagamentos Stone e da Associação Brasileira das Instituições de Pagamento (Abipag). Segundo ele, em pouco tempo haverá empresas dedicadas a serviços de delivery, ou a salões de beleza, ou ainda a serviços de assinatura, como o da Netflix. “O negócio de pagamentos deixou de ser algo exclusivo dos bancos”, diz Lins.
 
Outro candidato forte a disputar esse negócio é o Mercado Pago, instituição de pagamentos vinculada ao Mercado Livre. Na quarta-feira 14, Stelleo Tolda, vice-presidente de operações do Mercado Livre, anunciou que a empresa vai investir R$ 2 bilhões neste ano. A maior parte do dinheiro vai para as áreas de fidelidade e para o subsídio ao frete grátis, mas uma fatia não divulgada dos investimentos vai para sua solução de pagamentos.
 
“Queremos mais capilaridade com o Mercado Pago”, diz Tolda. O principal executivo do Mercado Pago, Túlio Oliveira, está otimista. “Em 2017 tivemos o melhor ano de nossa história, pois processamos US$ 13,7 bilhões em transações, um crescimento de 70% em relação a 2016”, diz ele. Para o executivo, o crescimento não vai se limitar à processar mais transações originadas no portal da empresa controladora. “Vamos explorar outros produtos, como o pagamento de boletos, a prestação de serviços de cobrança para concessionárias, além de parcerias com aplicativos como Uber e PlayStore”, diz ele.
 
Oliveira sabe que há uma grande possibilidade de a empresa controlada tornar-se muito maior que seu controlador. “O comércio eletrônico representa 4% do total do varejo, mas os pagamentos são um universo muito maior do que isso,” diz ele. “A possibilidade de migração das transações do mundo físico para o eletrônico é enorme.” Apesar do crescimento acelerado, os pagamentos eletrônicos responderam por apenas 32,6% das transações de 2017. Os dois terços restantes permanecem no universo lento do dinheiro e dos cheques. Muito espaço para atores mais modernos como o PagSeguro crescer. Procurados, PagSeguro, Cielo e Bradesco não concederam entrevista.

 

Fonte: Isto é Dinheiro.

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